Dentre os meus projetos de curto/médio prazos está o de percorrer a Estrada Real. A primeira etapa, que será percorrida a pé, começa pelo caminho dos Diamantes que vai de Diamantina até Ouro Preto. São 350 km de puro montanhismo, passando por lugares, vilarejos e pequenas cidades fascinantes.
A segunda etapa tem dois percursos possíveis, sendo que o Caminho Velho vai de Ouro Preto, passando pela região das Vertentes,cruza a Mantiqueira desce até o Vale do Paraiba em São Paulo e chega até Parati. Pelo Caminho Novo vai-se até a cidade do Rio de Janeiro passando pelo trecho de Itatiaia.
Pretendo seguir o Caminho Velho por razões históricas, pois passa pela minha cidade natal São João del Rei e para tal empreendimento estou estudando o roteiro de forma criteriosa para percorrê-lo de bicicleta.Isso requer um condicionamento físico adequado e um equilíbrio emocional permanente e inflexível pois, caso não consiga um companheiro para a jornada irei sozinho.
Quem disse que a bicicleta anda muito devagar?Ela anda tão rápido quanto a capacidade de se observar abem cada uma das regiões por onde se passa.Na ER, o o cicloturista terá a oportunidade de enfrentar os mesmos obstáculos dos primeiros desbravadores pois, ainda hoje estão lá intactas, as mesmas montanhas e representam o que há de mais original no caminho.As dificuldades encontradas costumam trazer as melhores lições. O sacrifício para superar obstáculos permitem fazer a viagem transcender o turismo convencional e a recreação pura e simples, passando para um processo introspectivo rumo a riquezas reais como o autoconhecimento e a capacidade para se superar e seguir, com liberdade, o seu caminho
O cicloturismo é uma incrível maneira de se viver o espaço e o tempo. Grandes circuitos de aventura -treking,esqui, cavalgadas,mountain bike,etc- são muito comuns e populares em países de tradição em esportes de contato com a natureza. Tem uma lógica simples: quanto mais longo e exigente for o roteiro mais ele oferece ao aventureiro. O Brasil de modo geral pela grande diversidade natural, oferece oportunidades incríveis de ciclo turismo de montanhas praticado a pé ou de bicicleta, dando ao aventureiro a chance de desfrutar com imenso prazer, as belas paisagens, coisa que de automóvel seria impossível. Minas Gerais é um estado impar para prática desse turismo. Quem conhece o Caraça sabe do que falo.
O Espírito Santo possui também uma diversidade natural incrivelmente bela. O seu entorno do Caparaó é fascinante e pretendo fazê-lo de bicicleta. Aliás, esse vai ser meu primeiro cicloturismo de bike.
No meu caso, desde criança sou apaixonado pela bicicleta e revisando o álbum de família, tem lá uma foto minha com 1 ano de idade, junto com meu pai numa bicicleta sueca daquelas de freio contra-pedal. Meu pai tinha também uma motocicleta Java vermelha de 125 cc que vivia dando problema. Quase sempre ele me levava na garupa da moto quando ia para o quartel, pois ele era sargento do 11º regimento de Infantaria.Volta e meia a corrente da moto arrebentava na subida do morro que dá acesso ao quartel.
A paixão pelas duas rodas começou, portanto bem cedo e hoje tenho nove bicicletas antigas, sendo a mais velha uma Hermes feminina de 1948(fotos anexas)...\Fotos\Bikes
Com a finalidade de percorrer o Caminho Velho comprei uma moutain bike americana marca KHS de 24 marchas e freios a disco. Comecei a me preparar desde já visando sair de Ouro Preto e ir até Parati,cruzando uma distancia de aproximadamente 600 km.
Terei oportunidade de rever os lugares onde trabalhei logo que me formei em Veterinária na UFMG. Lugares por onde passa a Estrada Real como Cruzília, Baependi, Caxambu, Pouso Alto, Capivari, Itanhandu,Itamonte, Passa Quatro, Cruzeiro e Cachoeira Paulista em S.Paulo) certamente serão rememorados com muita saudade e alegria.Em todos esses lugares prestei assistência veterinária a pequenos e grandes fazendeiros, criadores de gado leiteiro, que começavam um projeto de inseminação artificial de suas vacas holandesas. Tenho muitas hístórias para contar de todos esses anos que lá passei. A Serra da Mantiqueira é fascinante e no trecho que vai de Passa Quatro a Itamonte, passando por Itanhandu, inclusive cruzando o Rio Verde, ela é de extrema beleza.
Estou verdadeiramente fascinado pelas belezas naturais do meu estado natal-Minas Gerais, onde a Estrada Real tem o seu maior trecho. Penso agora: como não descobri isso mais cedo? Morei lá tantos anos!! Assim já teria percorrido meio mundo. Mas há tempo para tudo.
A diversidade com que a natureza contemplou MG deixou e deixa até hoje fascinados os mais variados profissionais do ramo do ecoturismo. A história nos conta que:
Naqueles idos tempos, Rugendas -Johann Moritz Rugendas- desenhista alemão viajou por todo Brasil durante 1822-1825 e pintou povos e costumes. Rugendas era o nome que usava para assinar suas obras. Cursou a Academia de Belas-Artes de Munique, especializando-se na arte do desenho. Pintor de cenas brasileiras, nasceu em Augsburg, em 29 de março de 1802 e faleceu em Weilheim, em 29 de maio de 1858.
Chegou em 1821 como desenhista da missão científica do barão de Langsdorff, viajando pelo país para coletar material para pinturas e desenhos. Acabou por se dedicar ao registro dos costumes locais, nos quais se pode notar o traço classificatório da arte botânica a detalhar os tipos humanos, as espécies vegetais e sua relação na paisagem. Quando se observa atentamente um desenho seu a bico-de-pena, por exemplo, entrevemos algumas de suas escolhas na conformação de sua narrativa plástica, para tornar legível a cena apresentada. Sabia perfeitamente que a correção representativa não podia ser medida pela fidelidade à realidade, mas sim pela capacidade de transpô-la para a realidade da própria arte, o que envolvia um sem-número de convenções.
Em razão dessa diversidade incrível e das amplas possibilidades de aprofundar meu conhecimento sobre os meus conterrâneos, me disponho a enfrentar as montanhas, cruzar riachos e vales fotografando a natureza e os habitantes dessas regiões.
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