sexta-feira, 29 de abril de 2011

Visita amiga

Neste feriado Pascal recebemos a visita dos GMQ José Navarro, Regina e Raquel a filha.
São grandes amigos que moram em Carapicuíba, São Paulo.
A amizade começou em julho 2009, por ocasião do percurso do Caminho da Luz, interessante  trecho de peregrinação que vai de Tombos até a cidade de  Alto Caparaó, com um encerramento fantástico que é a subida ao Pico da Bandeira.
Após o encerramento do Caminho da Luz passamos a nos reunir invariavelmente em São Paulo por ser o local de moradia da maioria do pessoal e essas reuniões se sucederam ao longo de 2009, ora na casa do Navarro, ora no sítio da Hélia ou da Claudia e avançou pelos meses seguintes,2010, perdurando até os dias de hoje.
Sempre acontecem num ambiente de confraternização e franca amizade e como enriquecimento,participamos de animados churrascos e eventos culturais na cidade de S. Paulo, seja assistindo peças teatrais,shows musicais ou mesmo encontro eco-etílicos-culturais em renomados bares e restaurantes da paulicéia.
No meu caso associo a visita ao filho Paulo Henrique- que faz residencia médica em SP- áqueles eventos acima mencionados.
Para compensar então os prejuízos que temos proporcionados ao casal Navarro eles então, depois de ensaios e pesquisas de melhores feriados, tomaram o avião da GOl no último dia 21 e se mandaram para Vitória.Veja aqui:Vitória.
Como bons paulistas trouxeram a bagagem adequada, sem esquecer os biquinis e sungas para merecidos banhos no oceano Atlântico.
Acontece que no dia 21 uma chuva incrível assolava Vitória e cheguei mesmo a temer que o jato não descesse.
De fato o Kojak( Navarro- segundo a ótica do Maurício Bigode) disse que o avião ficou dando voltas pelos céus capixabas até que o piloto "achou" um buraco e embicou a aeronave para o solo.Foi um pouso literalmente aquaplanado.
Aqui chegando sãos e salvos, os Navarros foram submetido a um castigo conhecido deles lá de S.Paulo: a morosidade do trânsito, uma vez que alem do horário de rush, era véspera de feriado e pior- muita chuva- o que causou uma inundação imensa nas vias de acesso para minha casa e assim, para fugir da tormenta, fomos a uma pizaria matar a fome e tomar uns chops já que ninguem é de ferro.Ressalte-se que  pizza foi fartamente elogiada pelos paulistas.
Lá pelas 22.30 conseguimos chegar em casa para então um  merecido descanso dos amigos que havia saído de casa ás 09.00 h da manhã, via Guarulhos.
No dia seguinte após o café, demos um giro pelos arredores da Cidade Alta onde moro, para conhecimento,fotos dos prédios antigos e observação do Porto de Vitória. Nas fotos abaixo, o Palacio Anchieta, preservado e antes,  sede do Governo mas agora transformado em museu.
Foi construido pelos Jesuitas nos anos 1548. fachada principal e hall de entrada abaixo.
Abriga constantemente exposições de obras quadros e esculturas como de Michelangelo e Leonardo da Vinci, recentemente realizadas com apoio do governo italiano.
Depois de um passeio cultural pelo centro de Vitória, fomos de carro para Guarapari(fotos do album de um peregrino) visualize aqui,cidade saúde com suas areias monazíticas, distante 52 km de Vitória pela Rodovia do Sol, passando por Vila Velha, 1ª cidade fundada pelos descobridores. Abaixo o pessoal na Praia da Costa em Vila Velha
Mais fotos na Praia da Costa em Vila Velha.
Chegamos em Guarapari fomos para casa alojar os visitantes e almoçar uma autentica torta Capixaba, especialidade culinária típica que o Kojak e família poderão dar suas impressões pessoalmente. Abaixo o Kojak fazendo pose.
 O visual tendo como fundo a Praia das Castanheiras com o Clube Siribeira.

Abaixo vemos a Praia dos Namorados onde os paulista aproveitaram o calor do sol capixaba.

Acima  a Regina e a Raquel capturadas pela minha lente .
O visual está constantemente enriquecido pelas embarcações que passam, voando ou em escunas próprias para passeio daqueles que aproveitam horas de lazer.

Grandes navios graneleiros, de transporte de minério de ferro ficam atracados ao largo á espera de vaga no Porto de Ubu, pertencente á Samarco Mineração.
No sábado pela manhã, debaixo de um sol meio forte, eu e Navarro fizemos uma caminhada de 10 km pelo litoral até Meaípe, bucólico e belo lugarejo onde desfrutamos de bons mergulhos e tomamos água de coco para hidratação. A cerveja veio depois,rs!!
Na volta pegamos um ônibus que faz a linha até Meaípe  e rapidamente voltamos para a Praia dos Namorados onde nossas famílias aroveitavam o sol, conforme visto em fotos acima.
Praia dá uma fome danada e após o banho fomos apreciar uma autentica moqueca capixaba,especialidade que os amigos adoraram. Kojak comeu até estufar!!
De noite fomos passear no calçadão, ritual de preferencia do público feminino, que aproveita para admirar vitrines, enquanto os maridos ficam observando o aeroporto situado nas imediações.
Lá pelas 22 horas nos dirigimos ao Kibe Lanche para saborear uma típica cozinha árabe. Chops e cubas libres acompanharam a refeição de grão de bico, arroz de lentilhas,kaftas,etc.
Dali fomos embora dormir que ninguem é de ferro.
O cansaço favorece o sono que foi embalado pelo som das ondas na arrebentação bem abaixo das janelas, propiciando uma noite de descanso reparador.


No domingo nos levantamos cedo par nova caminhada, desta ve em direção á praia do Morro onde o amigo Navarro pode apreciar uma das mais belas paisagens do litoral capixaba, exatamente atrás dessa ponta de rocha que se vê na foto abaixo. Esta ilha dista uns 10 km em linha reta de onde foi tirada a foto, no meu apartamento.
 
Subindo o Morro da Pescaria, contornando-o por uma trilha na mata, chegamos a uma praia de beleza sem igual e águas absolutamente límpidas.Como eu não havia levado minha câmera, vou postar estas  fotos em ocasião oportuna.
Dalí tem-se o visual mais belo de Guarapari.Na volta encontrei um cidadão que tem o mesmo hobby que eu... bicicletas antigas. 
Conversamos muito, peguei seu endereço para ver suas bikes e levar foto das minhas bicicletas que o Kojak conheceu.Como exemplo abaixo o conjunto,uma Caloi 1970, uma Raleigh inglesa de 1969 e uma Monark sueca de 1956.


Na volta da Praia do Morro tivemos que pegar um ônibus devido o avançar do horário. Chegamos ainda a tempo de dar um mergulho na praia dos Namorados e rapidamente subimos para apreciar um "dentão ao lodo" acompanhado de arroz e saladas. Perguntem á Regina, Navarro e Raquel o que acharam pois eu sou suspeito!
No dia seguinte, já na segunda feira,voltamos para Vitória para ultimar os preparativos para a volta dos amigos.Deixamos a s malas em casa e fomos comprar um "Panamá" para o Kojak não esquentar a careca.
Almoçamos num restaurante simples mas de excelente comida e dalí fomos para Vila Velha conhecer o convento da Penha, coincidentemente ás vésperas da realização da festa de N.Sra da Penha, pádroeira da cidade.
Subimos a ladeira de 1.600 metros utilizando vans pois, nesta semana, realiza-se o oitavário de N Sra sendo proibida a utilização de automóveis para se chegar ao alto. Clique aqui par ver fotos: Vista do Convento
Orações e missas são celebradas á tarde durante oito dias até o dia da padroeira que é sempre celebrado oito dias após o domingo de Páscoa.
O local é de cenário belíssimo com visualização de toda a baia de Vitória, de Vila Velha, o porto de Praia Mole, a Companhia Siderúrgica Arcelor e os  navios fundeados á espera de atracação.
O morro do Moreno ao lado ostentava dois ou três parapentistas.
A visão do mar se extende até onde a vista alcança. Várias fotos foram feitas com a câmera da Raquel.



 
Visitamos a Igreja de N S. da Penha, construida por Frei Pedro Palácios em 1585 e que  conserva até hoje seu aspecto original, com esculturas, objetos, imagens e adornos da época.
É um local de intensa peregrinação e os católicos tem verdadeira adoração por N S da Penha, cujo evento máximo é a procissão que sai de Vitória e vai até o Convento num percurso de 15 km. Milhares de pessoas acompanham numa demonstração de fé religiosa, com cânticos e orações ao longo do percurso.
Após a visita ao convento passamos pela fábrica de chocolates Garoto para delícia das mulheres.
De volta á casa,a ida para o aeroporto. Chegamos com umas duas horas de antecedencia para realizar o check-in dos amigos e já vimos que o pequeno aerioorto já estava lotado, evidentemente fim de feriado! 
Feitas as procedimentos me despedí doas amigos e voltei para casa. Lá se foram eles, pensei!
No dia seguinte pela manhã, cerca de 08.30 recebo o telefonema do Kojak dizendo que o Vôo tinha sido cancelado por flta de condições meteorológicas em Goiania, origem do võo e escala no Rio e que eles estavam hospedados por conta da Gol no Hotel Aruan, na Praia de Camburi.
Combinamos um almoço para as 13 horas enquanto eles pegavam uma praia, para alegria da Raquel que adorou a ideia de matar mais um dia de aula.Almoçamos mais uma excelente refeição e os amigos puderm enfim retornar á São Paulo no vôo direto para Congonhas que saiu ás 17 horas.
Lá se foram eles levando na mente e na alma a certeza de uns dias felizes e alegres aqui no Espírito Santo.




quinta-feira, 28 de abril de 2011

Pedro Nava

Terminei de ler os livros de Pedro da Silva Nava, mineiro nascido em Juiz de Fora, a 5 de junho de 1903 tendo falecido no  de Janeiro em 13 de maio de 1984. Foi  médico e um grande escritor brasileiro.
Formou-se em Medicina na (clique aqui) Universidade Federal de Minas Gerais em 1927 e participou da geração modernista de Belo Horizonte Como escritor tornou-se o maior memorialista da literatura brasileira, autor de seis livros. 
O primeiro foi Baú de Ossos. Depois deste vieram ainda Balão Cativo, Chão de Ferro, Beira Mar, Galo das Trevas e, por último, O Círio Perfeito.
Pedro Nava traçou nestas obras um completo painel da cultura brasileira no século XX, além dos costumes familiares e sua cultura popular.
Suas páginas sobre a medicina figuram como das maiores que se tenham escrito na literatura brasileira. A Belo Horizonte de seus anos vinte e o Rio Antigo passeiam em suas narrativas como uma força poética e uma profundidade observacional que muitas vezes se transformam em pura poesia, levando o leitor a um mundo mágico. No dizer de seu grande amigo e companheiro Carlos Drummond de Andrade: "… possuía essa capacidade meio demoníaca, meio angélica, de transformar em palavras o mundo feito de acontecimentos." Nava também possuía grande talento de pintor e só não o foi profissionalmente por opção.
Cometeu suicídio com um tiro na cabeça aos 80 anos, por razões desconhecidas, numa praça do bairro da Glória após ter atendido, em seu apartamento, a um misterioso telefonema.
Hoje, cogita-se que Nava vinha sendo chantageado por um garoto de programa, informação encoberta pela imprensa à época.Há muita controversia mas o fato é que Nava nos seus livros não menciona suas digamos, aventuras sexuais ao contrário, ele narra as estrepulias dos amigos, frequentadores dos bordeis e puteiros da época na Rua Guaicurus.
Não dá para separar, dentre todos os livros de Nava qual seria o melhor, mais interessante, mais completo. Todos são absolutamente incríveis nas suas narrativas. É de uma riqueza impressionante pois o autor navega em quase todas as áreas seja da literatura, música,pintura, escultura e no assunto de seu amplo domínio - a Medicina.
O seu conhecimento médico, a sua dedicação e força de vontade, a sua disciplina nos plantões,a sua perseverança na atualização, a vivencia com grandes mestres, tudo contribuiu para seu engrandecimento.
Ler Pedro Nava é andar pelas ruas de Belo Horizonte, onde se formou em Medicina, percorrendo em memória os logradouros por onde ele e seus inseparáveis amigos perambulavam.
Sua descrição das ruas,dos cenários, dos casarões, das famílias que os habitavam, os hábitos e costumes da época, trazem uma lembrança inacreditável para quem conhece a capital mineira. Eu mesmo fui várias vezes checar se ainda existiam os prédios, monumentos e casarões que ele mencionava. Em vão. Poucos monumentos permanecem de pé. Um exemplo é o Automóvel Clube de Belo Horizonte Veja aqui que ainda está lá inteiro e belo, desde 27 de dezmbro de 1925
A sua famosa e sempre exaltada Rua da Bahia, centro nevrálgico da época com o famoso Bar do Ponto, hoje abriga, no trecho de Afonso Pena até esquina com Alvares Cabral, apenas um casarão bem conservado.
O bar do Ponto era onde se situa hoje o Othon Palace Hotel, assim como o abrigo de bondes na esquina de baixo da Bahia com Afonso Pena ainda está lá, servindo como posto de floricultura.
Um dia desses fui á Rua Padre Rolim 775 nos Funcionários, ver se a casa onde morou com sua mãe e o primo Egon ainda existia.Pobreza!! Há um grande edifício de salas comerciais.Passei pela Santa Casa de Misericordia, fundada em 21 de maio de 1899, onde ele passou boa parte de sua vida profissional e o imponente prédio, imenso, está lá firme e forte.Veja o link Santa Casa.
Motivado pelas histórias do Nava comecei a fotografar os casarões de B. Horizonte para não perder essa memória, embora acredite que o Patrimônio Histórico tenha esse inventário.
Já tenho alguns fotografados e voltarei com o tema mais á frente, assim como detalhes interessantíssimos narrados pelo incríve Nava.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

O programa do Senhor


O Programa do Senhor


À frente da turba faminta, Jesus multiplicou os pães e os peixes, atendendo a necessidade dos circunstantes. O fenômeno maravilhara. O povo jazia entre o êxtase e o júbilo intraduzíveis.
Fora aquinhoado pôr um sinal do Céu, maior que os de Moisés e Josué.
Frêmito de admiração e assombro dominava a massa compacta.
Relacionavam-se, ali, pessoas procedentes das regiões mais diversas.
Além dos peregrinos, em grande número, que se adensavam habitualmente em torno do Senhor, buscando consolação e cura, mercadores da Indumeia, negociantes da Síria, soldados romanos e cameleiros do deserto ali se congregavam em multidão, na qual se destacavam as exclamações das mulheres e o choro das criancinhas.
O povo, convenientemente sentado na relva, recebia, com interjeições gratulatórias, o saboroso pão que resultara do milagre sublime.
Água pura em grandes bilhas era servida, após o substancioso repasto, pelas mãos robustas e felizes  dos apóstolos.
E Jesus, após renovar as promessas do Reino de Deus, de semblante melancólico e sereno contemplava os seguidores, da eminência  do monte.
Semelhava-se, realmente, a um príncipe, materializado, de súbito, na Terra, pela suavidade que lhe transparecia da fronte excelsa, tocada pelo vento que soprava, de leve...
Expressões de júbilo eram ouvidas, aqui e ali. Não fornecera Ele provas de inexcedível poder? Não era o maior de todos os profetas? Não seria o Libertador da raça escolhida?
Recolhiam os discípulos a sobra abundante do inesperado banquete, quando Malebel, espadaúdo assessor da justiça em Jerusalém, acercou-se do Mestre e clamou para a multidão haver encontrado o restaurador de Israel. Esclareceu que conviria receber-lhe as determinações, desde àquela hora inesquecível, e os ouvintes reergueram-se, à pressa, engrossando fileiras, ao redor do Nazareno.
Jesus em silêncio, esperou que alguém lhe dirigisse a palavra e, efetivamente Melebel não se fez de rogado.
Senhor, indagou exultante--és em verdade o arauto do novo Reino?
Sim - respondeu o Cristo sem titubear.
Em que alicerces será estabelecida a nova ordem?-- prosseguiu o oficial, dilatando o diálogo.
Em obrigações de trabalho para todos.!O interlocutor esfregou o sobrecenho com a mão direita, evidentemente inquieta, e continuou:
Instituir-se-á, porém, uma organização hierárquica?
Como não?- respondeu o Mestre sorrindo.
--Qual será a função dos melhores?
--Melhorar os piores, evidente.
--E a ocupação dos mais inteligentes?
--Instruir os ignorantes.
--Senhor, e os bons? Que farão eles no novo sistema?
--Ajudarão aos maus, a fim de que estes se façam igualmente bons.
--E o encargo dos ricos?
--Amparar os mais pobres para que se enriqueçam de recursos e de     conhecimentos.
--Mestre--tornou Melebel desapontado--, quem ditará semelhantes normas?
--O amor pelo sacrifício, que florescerá em obras de paz no caminho de todos.
--E quem fiscalizará o funcionamento do novo regime?
--A compreensão da responsabilidade de cada um de nós.
--Senhor, como tudo isto é estranho!- considerou o noviço, alarmado--desejarás dizer que o Reino diferente, prescindirá de exército, palácios, prisões, impostos e castigos?
--Sim - aclarou Jesus, abertamente-, dispensará tudo isto e reclamará o espírito de renuncia,de serviço, de humildade, de paciência, de fraternidade, de sinceridade, sobretudo, do amor de que somos credores, uns para com os outros, e a nossa vitória permanecerá muito mais na ação incessante do bem com o desprendimento da posse, na esfera de cada um, que nos próprios fundamentos da Justiça, até agora conhecidos no mundo.
Nesse instante, justamente quando os doentes e os aleijados, os pobres e os aflitos desciam da colina tomados de imenso júbilo, Melebel, o destacado funcionário de Jerusalém, exibindo terrível máscara de sarcasmo na fisionomia dantes respeitosa, voltou as costas para o Senhor, e, acompanhado pôr algumas centenas de pessoas bem situadas na vida, deu-se pressa em se retirar, proferindo palavras de insulto e zombaria...

O milagre dos pães fora rapidamente esquecido, dando a entender que a memória dificilmente funciona nos estômagos cheios, e, se Jesus não quis perder o contato com a multidão, naquela hora célebre, foi obrigado a descer também, rapidamente....