terça-feira, 16 de novembro de 2010

CPMF

Já não há mais risco de engano. Pelo rumo da coisa, o leite da bondade que jorrava das propagandas eleitorais azedou.

Na campanha, todos os túneis acabavam em luz. O futuro ia ser radioso.

O futuro ia ser resplandecente. O futuro ia ser feliz.

O futuro ia ter segurança, educação e saúde.

Agora, contados os votos, o futuro foi reduzido ao retorno de um passado em que havia a CPMF.

Já não se fazem futuros como antigamente.

Todos só falam na recriação do tributo. Os governadores amigos o querem de volta.

Alguns governadores adversários também o desejam.

Dilma Rousseff, a presidente eleita, diz que não tomará a iniciativa. Mas se os governadores almejam...

Súbito, José Sarney, o presidente do Senado, veio aos holofotes para informar que os congressistas igualmente podem querer.

"Eu ouvi a ministra Dilma Rousseff dizer que não vai mandar nenhum projeto fazendo retornar a CPMF...”

“...Agora, isso não impede que aqui, dentro das duas Casas do Congresso, apareça uma iniciativa parlamentar restaurando essa contribuição".

Assegura-se que a neo- CPMF, uma vez arrancada do bolso alheio, irá integralmente para a saúde.

No papel, a CPMF antiga tinha o mesmo destino. Porém, como dinheiro não tem carimbo, o grosso da coleta tomava outros rumos.

Nada como o passado recente para fazer o “contribuinte” brasileiro desacreditar do seu futuro. Ah, que saudade do horário eleitoral!

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