segunda-feira, 27 de junho de 2011

Diário de viagem- Caminho da Fé - Junho de 2011

"Descobri como é bom chegar quando se tem paciência. E para se chegar, onde quer que seja, aprendi que não é preciso dominar a força, mas a razão. É preciso, antes de mais nada, querer. " 
Amir Klink

Quando terminei o Caminho das Missões em julho do ano passado eu já estava planejando outra escapulida pelas montanhas de Minas. No caso era o Caminho da Fé que eu mirava. Lí bastante sobre as diversas pessoas que fizeram o caminho e resolví que era para lá que eu iria.
Houve uma tentativa anterior de sair para o Caminho dos Anjos, mas alguns contratempos implodiram essa ideia. Assim ficamos combinados- eu e os amigos dos andarilhos.org(Antônio Falcão,Josilene,Therezinha, Nilton e Marluce) que no feriado de Corpus Christi partiríamos para um percurso de sete dias do Caminho da Fé partindo da cidade de Estiva no sul de Minas, cruzando  a belíssima Serra da Mantiqueira.



                                                               Um pouco de cultura:
A Mantiqueira contem quatro dos dez picos culminantes do Brasil é também conhecida como "O Himalaya Brasileiro". É a mais extensa das Áreas de Proteção Ambiental já declaradas pelo governo brasileiro.Abriga o corpo principal da Serra da Mantiqueira e se estende desde o Parque Estadual Serra do Papagaio, ao norte do Parque Nacional de Itatiaia, no Estado de Minas Gerais, até a Pedra do Baú, ao sul do Parque Estadual de Campos do Jordão, no estado de São Paulo. A APA da Serra da Mantiqueira protege ecossistemas de encosta da Mata Atlântica, que garantem sua estabilidade geológica e preservam mananciais de água de grande significado social, e abriga campos de altitude de importância genética. Nela também persistem formas de cultura tradicional de grande interesse e beleza, caracterizadas por caboclos, que vivem segundo antigas tradições indígenas e ibéricas de enorme importância cultural e antropológica. 
Na Serra da Mantiqueira existem diversas unidades de conservação, como a área de proteção ambiental Serra da Mantiqueira, dividida entre os três estados, o Parque Nacional do Itatiaia, dividido entre Minas e Rio, e os Parques Estaduais Serra do Brigadeiro e Serra do Papagaio (Minas) e Campos do Jordão (São Paulo).

O maciço da Serra da Mantiqueira possui aproximadamente 500 km de extensão e se inicia próximo à cidade paulista de Bragança Paulista e segue para o leste delineando as divisas dos três estados brasileiros até a região do Parque Nacional do Itatiaia onde adentra Minas Gerais até a cidade de Barbacena. A partir daí, uma continuação pode ser considerada, pois a mesma desvia para o norte até a Serra do Brigadeiro, no leste de Minas Gerais, chegando a aproximar-se do Parque Nacional do Caparaó.

Seu ponto culminante é a Pedra da Mina com 2.798 m na divisa dos estados de Minas Gerais e São Paulo e seu ponto de transposição mais baixo é a Garganta do Embaú por onde passaram os bandeirantes durante suas incursões ao interior de Minas Gerais.

A serra da Mantiqueira tem altitude média que varia entre 1200 a 2800 metros e é popular pela prática de alpinismo nos seus  picos elevados e durante o inverno por ser a estação seca, aumenta a procura desse esporte na serra.

Picos mais altos da Mantiqueira:

Pedra da Mina: 2.798,39 metros
Pico das Agulhas Negras: 2.792,66 metros
Morro do Couto: 2.680 metros
Pedra do Sino de Itatiaia: 2.670 metros
Pico dos Três Estados: 2.666 metros
Pedra do Altar: 2.665 metros
Pico do Maromba: 2.619 metros
Morro do Massena: 2.609 metros

Localidades mais elevadas

Campos do Jordão: 1.650 metros
Monte Verde: 1.555,5 metros
Morangal: 1.515 metros
Senador Amaral: 1.505 metros
Bom Repouso: 1.360 metros
Gonçalves: 1.350 metros
Virgínia: 1.290 metros
Marmelópolis 1.277 metros
Maria da Fé: 1.258 metros
Bom Jardim de Minas: 1.250 metros
Munhoz: 1.235 metros
Bocaina de Minas: 1.210 metros
Bueno Brandão: 1.204 metros
Delfim Moreira: 1.200 metros
Andradas: 1.200 metros
Visconde de Mauá 1.200 metros
Poços de Caldas: 1.198 metros
Barbacena: 1.164 metros

Os preparativos para a viagem começaram já em dezembro de 2010 com a compra da passagem aérea Vitória/Guarulhos/Vitoria e  com essa antecedência os preços foram bem camaradas.
Dias antes nos reunimos para acertar os detalhes finais, bem como traçar a logística da sequência da viagem. No dia 18,mochilas nas costas, cajados, facas e canivetes devidamente embalados, nos encontramos no saguão do aeroporto Eurico Sales ás 7.30 h para o embarque no vôo Gol nº 1657, com destino ao aeroporto de Cumbica.
Chegamos lá com tempo firme e céu claro ás 10.30h e imediatamente após apanhar as mochilas,nos dirigimos para a saída com a finalidade de pegar um taxi para o Terminal Tietê, coisa que foi rapidamente negociada com dois taxistas.
Pelo horário que lá chegamos percebí que não haveria muito tempo disponível e assim comprei rapidamente um sanduiche para  aplacar a fome. Josilene ainda conseguiu comprar quatro latinhas de cerveja que dividimos e, ao meio dia embarcamos para Estiva, ponto inicial do Caminho. No percurso recebí duas ou três chamadas pelo celular vindas do  Zenon dizendo que já estavam à nossa espera na rodovia.
Pontualmente as 15.00h os GMQ Zenon,Navarro e Sidney nos recepcionaram ás margens da rodovia Fernão Dias para uma providencial carona até o Hotel onde ficariamos hospedados.

O reencontro foi de muita alegria com as apresentações do pessoal daqui para a turma de lá e todos então passaram a ser um só grupo: o GMQ.
Após a liberação dos quartos fomos almoçar pois a fome estava apertando e a sede de umas geladas era ainda maior.Fomos a um restaurante nas proximidades onde pudemos constatar a tradicional hospitalidade e a saborosa comida mineira.
Após o almoço e já perto de escurecer chegou aquele que não resta a menor dúvida: o Maurício, doravante alcunhado Bigode, com sua alegria característica e suas tiradas de invejar o Chico Anísio.
Ficamos um tempo conversando em animado papo com os demais amigos e em vista da hora e a oportunidade, eu e ele fomos assistir a Missa das 19 h na Igreja de S. Sebastião em frente ao hotel.Muito interessante participar de uma celebração tipicamente interiorana, com cânticos e rituais característicos.
Finda a missa voltamos ao restaurante anterior onde passamos agradáveis horas tomando vinho e jogando conversa fora,momentos estes que foram de entrelaçamento e melhor conhecimento dos novos integrantes do GMQ. Dalí mesmo fomos para os aposentos descansar pois estava bem frio e a jornada seria longa. Dormí um sono inquieto, acordando de quando em vez por típicos bebuns de cidade do interior que, a despeito do frio de 10ºC, insistiam em promover uma cantoria desafinada, chata e absolutamente fora de hora. Bagunceiros mesmo mas os desculpo, pois, no interior não há nada mesmo a fazer nas noites de sexta e sábados. 

1º dia- Estiva a Consolação.    

 Acordamos por volta de 6 h para rapidamente arrumarmos as mochilas e prepararmos para o café que foi servido na padaria ao lado do hotel. 

E com um friozinho suportável de uns 10ºC,  pusemo-nos à caminho descendo a ladeira defronte ao hotel e ganhando a saída rumo ao cruzamento com a Fernão Dias, onde fizemos algumas fotos em meio a neblina dominante.
 
Uma hora após leve caminhada adentramos o distrito de Bela Vista, o que deu motivo para que tirássemos algumas blusas, pois nossas roupas já estavam demais para aquele sol.De Bela Vista começamos uma subida razoável e pude compartilhar a companhia do amigo Bigode que me disse dos planos de uma excursão á Europa em julho.

Mais a frente, sempre com um belíssimo cenário emoldurado por vales e montanhas ainda densos de neblina,  paramos para apreciar e fotografar a natureza.Regina, esposa do Navarro logo nos ultrapassou com seu carro de apoio.


Sobre a ponte de um dos muitos rios que nascem nas montanhas acima.

Chegamos ao distrito de Consolação por volta das 12.30 h e ficamos ali sentados, ao lado da igreja de N S da Consolação, tomando cerveja  esperando os outros amigos que não tardaram.
Os amigos paulistas ficaram um pouco conosco trocando ideias e programando futuras caminhadas.

Fizemos várias fotos e depois alguns pegaram carona com Regina e foram comprar morangos, voltando mais tarde com caixas de morangos,os  mais doces que comí nos últimos tempos.

Momentos depois a turma de S.Paulo resolveu e foram embora, deixando-nos saudosos. O Bigode, Gilson e Gareth voltaram de ônibus para Estiva pois haviam deixado os carros lá.Chegaram mais dois peregrinos, o José Rodrigues que veio á pé de Mococa e o ciclista Alex, ambos tambem percorrendo o Caminho da Fé.

Depois de instalados nos quartos, lavamos algumas peças de roupa e fomos almoçar uma deliciosa comida preparada por D.Elza.Findo o almoço nos dirigimos a um mercadinho local para comprar algum tipo de alimento para o dia seguinte mas foi em vão... não havia nada disponível no local.
À noite, D.Elza  preparou um delicioso e quente caldo verde que foi um alento devido ao frio que se instalara.Acompanhou o único vinho tinto disponível... o Almaden que cá pra nós.. não está com nada. Embalados pelo vinho acabamos dormindo um pesado e revigorante sono.

2º dia- Consolação-Paraisópolis

O despertar foi as 4.50h ainda completamente escuro e levei ainda algum tempo para tomar uma firme decisão de sair de debaixo das cobertas.Mas o Falcão com seu celular pleno de músias clássicas, tratou de implodir essa vontade.
Arrumamos as mochilas enquanto D.Elza preparava o café, ao som de uma dupla caipira que se esguelava pelas ondas de uma rádio local. Pitoresco! Findo o café nos despedimos do hospitaleiro casal e rumamos para as montanhas conforme se vê na foto abaixo.

O trajeto evidenciou a beleza das montanhas mineiras, com suas fazendinhas, casas isoladas, poucas culturas e muito gado de leite. Avistamos inúmeras lavouras de morango sempre cobertas por estufas plásticas que certamente deveriam ser para proteger as frutas das inevitáveis  geadas.


 As 9.30h chegamos na localidade de Pedra Branca

que nada mais era do que uma vila de duas ou três casas, uma igreja e uma escola rural, em cujo pátio  nos instalamos para descanso e alimentação.

Dalí partimos para um trecho de forte ascenso, passando por um oratório

em direção á Serra do Machado que, devido a dificuldade conforme mostrado na foto abaixo, levou 2.30 h para ser vencida. As 11.45  atingimos o cimo com altitude de 1.200 m debaixo de um sol forte, o que nos levou a parar numa sombra e tirar o resto das camisas para aliviar o calor.

Restabelecidos e alimentados continuamos a jornada em direção a Paraisópolis. Nosso objetivo foi avistado ás 15.40h  do alto da serra, uma charmosa cidade! clique aqui

Pouco antes fomos convidados a parar numa propriedade(cerca de 3 km antes da cidade) para degustar umas maravilhosas mexericas e laranjas.O pomar muito bem cuidado estava com árvores carregadas e foi uma festa. Pudemos saborear uma espécie de laranja cujo cerne era de cor vermelho escura, com um sabor característico

Adentramos a cidade descendo uma rua calçada e bem arborizada.

Nesse ponto nos despedimos do João Rodrigues que resolvera ficar na cidade para descanso e nós seguiríamos mais 7 km após a cidade, em direção a Pousada Casa da Fazenda.
Passamos por um supermercado para comprar mantimentos e vinhos. Em frente visualizei o restaurante Pantanal onde pude matar a fome.Pareceu-me  que os demais colegas não tinham fome ou estavam apressados,pois logo os encontrei na praça da igreja onde descansavam,á espera de Nilton e Marluce que haviam tomado outra direção.
Novamente juntos, descemos umas ruas calçadas e pegamos de novo o caminho, agora pelo asfalto para percorrer os 7 km até a Pousada.(aqui)

Lá fomos recebidos pelo Edson e esposa Flora, simpático casal que habita uma residencia-hospedaria de extremo bom gosto. Móveis, pinturas, estilo, tudo passa uma sensação de requinte.


Fomos instalados em confortáveis quartos com mobiliário antigo e bem conservado.Os banheiros possuem duplo sistema de aquecimento, o que foi prontamente aproveitado para tomarmos um relaxante banho de água quente. Lavamos roupas e as secamos na secadora disponibilizada aos hóspedes.As torneiras tambem vertem água quente num conforto extra.

Limpos e descansados passamos algumas horas antes do jantar degustando uns cabernets e merlots comprados no supermercado. Pedimos desculpas com Edson por termos levado os vinhos pois, não sabíamos que ele dispõe para para oferecer aos seus hóspedes,excelentes tintos. O jantar foi servido as 19.30h e consistiu de massas ao molho e frango assado com  ervas finas e ainda sobremesa com doces típicos seguido de aromático café, tudo preparado com esmero pelo próprio Edson.
Fomos dormir em confortáveis camas, com pesados cobertores para alíviar o tremendo frio que fazia á fora. Antes disso tudo,ainda com dia claro, da janela do quarto fotografei um rebanho nelore e um belo e florido arbusto.



3º dia- Paraisópolis-campista.


Despertamos as 5.00 h para a jornada seguinte com a informação do Edson de que nosso trecho seria cruel pois, a serra Luminosa é muito íngreme, ele mesmo não estava lá muito crédulo que faríamos aquele percurso, até a Pousada Barão Montez,num só dia. Tomamos um bom café e nos despedimos daquelas hospitaleiras pessoas e pusemo-nos a caminho ás 6.00h, ainda escuro e bastante frio.A neblina cobria  quase que totalmente os vales e campos, o que  tornou o caminho mais pitoresco e agradável.

Duas horas e meia depois paramos após forte subida de 8,5 km para descanso e hidratação. Tiramos algumas blusas devido o sol que se instalara e continuamos a jornada, ora subindo ora descendo até que as 10.25, do alto da serra avistamos a vila de Luminosa


e sua impressionante serra de mesmo nome, que seria o próximo obstáculo a ser transposto ainda neste dia. Pontualmente as 11.30, conforme planejado, adentramos o vilarejo e paramos numa pracinha bem sombreada para comermos uns sanduiches.


Naquela vila procurei em vão, em uns 4 butecos, um refrigerante diet pois estava cansado de tanta  água e não encontrando a coca diet que tanto queria, apelei para uma Itaipava geladíssima acompanhada de  um sanduiche de pão dormido com queijo .
Ao meio dia retomamos o caminho e para começar a forte subida da Luminosa. Sol forte e mochila pesada,fomos penosamente subindo, eu parando a cada 5 minutos para descansar pois não estava me sentindo bem.Os gases gerados pelo sanduiche com cerveja mais o esforço da subida,começaram a me prejudicar.Ainda por cima tinha esquecido de tomar a medicação para controle da PA e desse modo, no meio da subida ,resolví parar pois estava mesmo cansado após estes desgastantes 4,5 km, que levaram mais de duas horas para serem vencidos.

Em vista disso tive a sabedoria de parar na Pousada D.Inês e combinei com o marido dela, o Sr José

para me levar até a próxima pousada. Os demais colegas prosseguiram serra acima.
De carona com Sr José percorri um trecho de estrada de terra, tambem com muita subida, por cerca de 30 km. Nesse trajeto o fusca tambem não aguentou e por duas vezes tivemos que parar porque a bobina tinha esquentado muito e foi preciso umidece-la com um pano embebido de água até que voltasse á temperatura normal.Nunca tinha visto um fusca esquentar.


Cheguei á Pousada Barão Montez,localizada no município de S.Bento do Sapucaí-SP, ás 15.30h sendo recebido pelo dono, o Marcio, que logo me direcionou para o quarto onde ficaríamos.A Pousada é típica da região, toda de madeira e está situada no meio de um  extenso e profundo vale,cercado por muita mata e córregos. O lugar é tão frio que existe por lá uma criação de trutas.


Marcio comentou que 3 dias antes a temperatura no local descera a -2ºC! Muito frio.
Lavei algumas peças, tomei banho, me agasalhei todo e esperei a turma chegar, o que se deu ás 19.20 já totalmente escuro. Conforme previra, o pessoal contou que a subida de 5 km foi mais forte ainda após a D.Inês e que, após dobrarem a serra, enfrentaram um trecho de asfalto em reparos, com forte movimento de caminhões, sem acostamento e que no escuro  tornou o trecho muito perigoso. Chegaram cansados porem felizes por vencerem esta vigorosa etapa.
Imediatamente foram tomar banho enquanto preparavam o jantar, que consistiu de uma saborosa canja de galinha  e ainda truta assada com arroz, feijão e batatas. Nessa noite fria não houve o tradicional vinho e o jeito foi tomar umas cervejas. Fomos dormir ás 9.30 para enfrentar mais uma grande jornada dia seguinte.

4 dia- Campista-Campos do Jordão

O despertar foi as 5.30 e logo estavamos de pé, apesar do intenso frio,  para finalizar a arrumação das mochilas e um rápido café. Despedimos do simpático ajudante e logo pegamos a estreita estrada asfaltada em direção a Campos  do Jordão.
Após 4,5 km, pegamos uma variante de terra batida á direita, começando uma subida em  meio a muita mata e sombra. O caminho é bastante agradável e a altitude aproxima-se dos 1.300 m ,com belo visual de vales e altas montanhas.Muitas araucárias,hortências e belas propriedades pela estrada.



Caminhamos agora por um planalto



donde se avista uma infinidade de casas encrustadas na serra, numa demonstração de que o PIB alí é alto e isto significava que estávamos próximos a Jordão, fato que se deu lá pelas 13.30.Dentro da cidade procuramos informações da exata localização da  Pousada "Refúgio dos Peregrinos" local onde pernoitaríamos,sendo recebidos por Bianca.


Lá fomos direcionados para os quartos compostos exclusivamente de beliches e de pronto fui tomar banho enquanto a temperatura estava razoavelmente quente.
Coloquei as roupas lavadas no dia anterior, que ainda estavam molhadas para secar,enquanto os colegas lavavam as suas. Tomamos cerveja á vontade e almoçamos.
À tarde saímos para passear pela cidade que apresentava um grande movimento turístico em função do feriado. Fomos direto ao elegante bairro do Capivari, passando antes pela estação do teleférico mas,devido ao horário já estava fechada para subidas. Visitamos lojinhas de artigos de artesanato e de frio, e fomos á igreja de S. Sebastião fazer as preces habituais.


Passamos em uma imponente galeria para tomar cafés e capuccinos, acompanhados de deliciosos pães de queijos.


Dali já escuro e frio,fomos apreciar o vai e vem nos principais bares e restaurantes,locais de intenso movimento.


Observamos um permanente desfile  de carros importados e a presença de mulheres lindas e bem vestidas, afinal o frio favorece  a exibição da moda .Ficamos por alí apreciando e mais tarde tomamos o ônibus para chegar a uma pizzaria perto da Pousada.Para acompanhar as massas degustamos uns cabernets apropriados ao clima e voltamos á Pousada. Dormimos bem agasalhados e cobertos pois estava bastante frio.

 5º dia-C. do Jordão - Pindamonhangaba- 42 km


Acordamos bem cedo  as 4.30, pois nesse dia o trajeto seria bastante puxado: 42 km.Após um rápido café, saímos ainda totalmente escuro.

Um pouco á frente encontrei um taxi com o qual combinei o preço para levar minha mochila que estava incomodando minha vértebra lombar L5 devido ao peso. Marluce e Therezinha tambem optaram e assim dividimos a despesa para caminharmos bem aliviados. 6 km depois saimos do asfalto e pegamos os trilhos da estrada de ferro.
Video aqui
O local de desvio gerou dúvidas se era mesmo aquele pois a marcação não estava lá muito católica.Continuamos pelos trilhos, passo a passo,dormente a dormente até atingirmos umas casas nas quais nos informamos. Estávamos no trilho certo. O vídeo acima mostra toda a beleza da região.


Caminhamos neste cenário por 9m km, alternando paradas para descanso e fotografias.
Estações perdidas no meio do mato foram transpostas,



Até chegarmos á charmosa Estação Eugênio Lefevre, local onde vimos muitos turistas que subiam  e desciam  na bela litorina que liga Campos a Pindamonhangaba. veja aqui

Comemos saborosos bolinhos de bacalhau acompanhados de suco de uva. Devido ao aspecto do tempo ficamos com capas de chuva de prontidão ao retomarmos o caminho.Mais uns 500 m de trilho então descemos por uma trilha íngreme e em péssimo estado.

Houve dúvida no grupo entre segui-la ou continuar nos trilhos. Votação feita seguimos a trilha, num forte descenso. Encontramos um grupo de cavaleiros que vinha subindo a serra, cavalos completamente suados e cansados, voltando de Aparecida. Mineiros voltando para Ouro Fino!!
Após este penoso trecho descendo a serra pegamos uma estradinha de terra,agora em companhia de dois simpáticos casais que iam tambem para Aparecida e, como disseram, contavam com carro de apoio de suas "titias". Estas os esperavam debaixo de uma sombreada árvore, com seu carro equipado com churrasqueira e bebidas(cerveja gelada..) O cheiro do frango assado estava ótimo, fomos convidados mas agradecemos e seguimos em frente já na planície, agora debaixo de forte sol, fotografando belas casas e sítios.

Seguimos caminhando, ora parando numa sombra, ora num buteco para água ou cerveja e assim o tempo foi passando e nada de Pinda chegar.Com frequencia constatamos o castigo que se dá á lingua portuguesa.


Tarde caindo avistamos Pinda ao longe e eu disse para Therezinha, que caminhava comigo uns 40 minutos á frente do grupo, que chegaríamos lá no escuro mesmo.
Longas retas de asfalto se perdiam de vista e Pinda ainda longe. O sol se indo e nada, só a silhueta dos prédios ao longe. Meus pés estavam doloridos e Therezinha não se aguentava mais de dor no joelho quando, numa curva á esquerda avistamos a ponte sobre o Paraíba do Sul.


 que dá acesso á cidade. Chegamos alí ás 17.30, depois de 11 horas de caminhada. Mal sabíamos que para chegar á pousada seria outro imenso sacrifício de mais 5 km, que nos consumiu mais 1 hora, meio perdidos na cidade e que ninguem sabia informar direito.
Já esgotados resolvemos pegar um taxi perto de um buteco mas o camarada disse que não ia ser possível. Um dos que bebiam no bar se apiedou de nós e disse que ia nos levar á pousada. Pelo trajeto feito achei que ia demorar perto de 1 hora pé.Foi uma providencial  salvação.
Uma vez instalado  fui tomar banho e de imediato  fui á lanchonete embaixo tomar uma gelada e esperar pelo amigos  que chegaram mais tarde,completamente esgotados e aborrecidos pela falta de informações e demora tem encontrar a pousada do Antônio. Numa boa decisão telefonaram para o Antônio que pegou o carro e foi buscá-los perto do centro da cidade.
Banho tomado fomos de carona com Antônio comer uma pizza e tomar uns cabernets para aliviar o cansaço. Este foi o mais longo dos dias-45 km de caminhada!!
Dormimos em aposentos ruins e sem conforto, numa situação que eu previra na noite anterior, quando então ficou claro que não vale a pena economizar uns reais e dormir em lugares desconfortáveis. Enfim como ninguem conhecia a pousada, ficou como uma advertencia para futuros caminhos. Nosso corpo merece uma confortável e macia cama, privacidade e banheiros limpos e adequados.

6º dia- Pinda-Aparecida do Norte.

Acordamos cedo para o que seria o último dia.As mochilas ficaram para serem levadas pelo taxi,facilitando e suavizando o deslocamento.Tomamos o café e saímos pelo asfalto rumo Aparecida. O tempo apresentava-se áquela hora bem fechado e fazia frio.
Caminhamos pelo asfalto em meio ás casas de comercio até a mercearia do Bruno 8 km depois, para um café rápido. Seguimos em frente ainda pelo asfalto até pararmos num buteco de nome 'Ponto de Apoio aos Romeiros" onde travamos amizade e fizemos fotos com um grupo de pessoas, casais e senhoras de mais idade inclusive, muito simpáticos que vindos de Atibaia ou Itatiba, iam tambem para Aparecida. Tinham carro de apoio e tudo.Foi uma feliz integração com muita troca de informações sobre vários caminhos, inclusive uma senhora que tinha feito Compostela nos passou interessantes detalhes.
Prosseguimos sob um sol forte até alcançarmos nosso destino- Pousada Jolivan, que fica uns 4 km antes de Aparecida.


Esta sim uma boa hospedagem com camas confortáveis, chuveiros muito bons, bar, lanchonete e restaurante. Esta pousada abriga sobretudo cavaleiros em comitiva, pois possui estrutura adequada para tal.
Após o banho e lavação de roupa fomos tomar cerveja e descansar.Noite que chegou, fomos jantar no restaurante anexo onde desfrutamos de boa comida.Não havia vinho que prestasse alí apesar de Josi e Antônio terem procurado, em mais meia caminhada nas proximidades e o máximo que encontraram foi um miserável Sangue de Boi ou Almadem.
Nem pensaram em trazer estas heresias para nós. Fomos dormir o sono dos justos.

7º dia- Aparecida do Norte-(aqui)

Saímos não tão cedo ás 7.30, para o trecho final até a Basílica, num percurso de uns 6 km, que foi facilmente vencido.

Na entrada do santuário,ás 8.45, já era grande o movimento de carros e pedestres,

que se dirigiam á Igreja para a celebração da missa das 9.h.


Adentramos naquele maravilhoso templo, fizemos as fotos e começou a missa oficiada por D.Raimundo Damasceno de Assis, Arcebispo de Aparecida e Presidente da CNBB.

Fez uma piedosa homilia e me senti bastnte emocionado.

Foi uma bela celebração onde agradecí a Deus as bençãos alcançadas e termos terminado o percurso sem problemas.Orei para os entes queridos e ao final voltamos a nos encontrar na saída principal do belo templo para mais fotos.

e agora comer alguma coisa na imensa praça de alimentação existente.Passamos pela secretaria da Igreja para carimbar as credenciais e apanhar o certificado.
Saimos por volta de 13.50 para continuar o caminho até Guaratinguetá, uns 10 km depois até o Kafé Hotel onde ficamos hospedados.Nossa meta era visitar o Museu de Frei Galvão, na verdade hoje S.Antônio de SantAna Galvão, primeiro santo brasileiro.Clique aqui


Existe toda uma boa estrtutura para cultuar Frei Galvão. Grupos de turistas estavam pelas imediações e chegamos a tempo de receber as explicações do guia sobre a personalidade fantástica que foi Frei Galvão.


Adquirimos as lembranças e souvenires tradicionais e voltamos para o  hotel, tomamos banho e fomos para a padaria em frente para a tradicional e necessária cerveja.Dali partimos para o restaurante Luciana Slow Food, que sem dúvida foi a melhor comida de todo o caminho. Fomos muito bem servidos e nos deliciamos com bons vinhos.Saímos dalí para um passeio pelo pequeno shoping local, fazendo uma hora para voltarmos ao hotel e cair na cama de cansaço mesmo.
8º dia- Guaratinguetá- Guarulhos


Amanheceu domingo e nada de caminho. Acabou.Fomos á missa na bela Igreja de S. Antônio ao lado do hotel e tivemos uma bela celebração.

A Igreja de estilo barroco muito me lembrou as Igrejas de S.João del Rei.
Fizemos fotos com o celebrante e seus acólitos.



Fotografamos o belo órgão de 1936 de fabricação alemã existente no coro.


Voltamos para o hotel para o acerto final e logo depois almoçamos num restaurante próximo. Findo o almoço nos dirigimos a rodoviária e tomamos o ônibus para São José dos Campos.
Viagem nem tão rápida como esperado devido ao grande tráfego de veículos, afinal era final de feriado e as pessoas parece que resolveram voltar todas no mesmo horário
Chegamos em S.Jose dos Campos e foi a conta de comprar a passagem para o aeroporto internacional de Guarulhos. Nosso tempo estava contado e chegamos bem a tempo de fazer o check-in e embarcar de volta para Vitória no vôo 1656 da Gol.
O avião pousou  as 23.40  e como sempre o nosso aeroporto mais parece uma rodoviária de tão precário.Com dois aviões pousando ao mesmo tempo, a coisa vira um caos total na hora de pegar a bagagem.
Enfim foi uma bela jornada, de convívio tranquilo e sem arestas. O caminho é maravilhoso e merece ser percorrido por todos aqueles que se identificam com essa forma esportiva de laser.
As longas caminhadas fazem muito bem ao corpo e ao espírito.


Impressões finais:

Todo andarilho/peregrino que percorre em grupo qualquer caminho de maior duração, sempre tem lições a serem aprendidas. No meu caso tenho que
  • aprender a controlar minha ansiedade, velha mania de antecipar problemas, procurando resolvê-los apenas quando realmente aparecem e não antes. 
  • andar mais devagar, esperando e compartilhando as conversas,
  • me desligar de qualquer plano pré concebido e antecipado porque no meio do Caminho sempre acontecem imprevistos,
  • Não carregar peso acima da capacidade


Vitória, 5 de julho de 2011.






























































Nenhum comentário:

Postar um comentário