quarta-feira, 27 de abril de 2011

O programa do Senhor


O Programa do Senhor


À frente da turba faminta, Jesus multiplicou os pães e os peixes, atendendo a necessidade dos circunstantes. O fenômeno maravilhara. O povo jazia entre o êxtase e o júbilo intraduzíveis.
Fora aquinhoado pôr um sinal do Céu, maior que os de Moisés e Josué.
Frêmito de admiração e assombro dominava a massa compacta.
Relacionavam-se, ali, pessoas procedentes das regiões mais diversas.
Além dos peregrinos, em grande número, que se adensavam habitualmente em torno do Senhor, buscando consolação e cura, mercadores da Indumeia, negociantes da Síria, soldados romanos e cameleiros do deserto ali se congregavam em multidão, na qual se destacavam as exclamações das mulheres e o choro das criancinhas.
O povo, convenientemente sentado na relva, recebia, com interjeições gratulatórias, o saboroso pão que resultara do milagre sublime.
Água pura em grandes bilhas era servida, após o substancioso repasto, pelas mãos robustas e felizes  dos apóstolos.
E Jesus, após renovar as promessas do Reino de Deus, de semblante melancólico e sereno contemplava os seguidores, da eminência  do monte.
Semelhava-se, realmente, a um príncipe, materializado, de súbito, na Terra, pela suavidade que lhe transparecia da fronte excelsa, tocada pelo vento que soprava, de leve...
Expressões de júbilo eram ouvidas, aqui e ali. Não fornecera Ele provas de inexcedível poder? Não era o maior de todos os profetas? Não seria o Libertador da raça escolhida?
Recolhiam os discípulos a sobra abundante do inesperado banquete, quando Malebel, espadaúdo assessor da justiça em Jerusalém, acercou-se do Mestre e clamou para a multidão haver encontrado o restaurador de Israel. Esclareceu que conviria receber-lhe as determinações, desde àquela hora inesquecível, e os ouvintes reergueram-se, à pressa, engrossando fileiras, ao redor do Nazareno.
Jesus em silêncio, esperou que alguém lhe dirigisse a palavra e, efetivamente Melebel não se fez de rogado.
Senhor, indagou exultante--és em verdade o arauto do novo Reino?
Sim - respondeu o Cristo sem titubear.
Em que alicerces será estabelecida a nova ordem?-- prosseguiu o oficial, dilatando o diálogo.
Em obrigações de trabalho para todos.!O interlocutor esfregou o sobrecenho com a mão direita, evidentemente inquieta, e continuou:
Instituir-se-á, porém, uma organização hierárquica?
Como não?- respondeu o Mestre sorrindo.
--Qual será a função dos melhores?
--Melhorar os piores, evidente.
--E a ocupação dos mais inteligentes?
--Instruir os ignorantes.
--Senhor, e os bons? Que farão eles no novo sistema?
--Ajudarão aos maus, a fim de que estes se façam igualmente bons.
--E o encargo dos ricos?
--Amparar os mais pobres para que se enriqueçam de recursos e de     conhecimentos.
--Mestre--tornou Melebel desapontado--, quem ditará semelhantes normas?
--O amor pelo sacrifício, que florescerá em obras de paz no caminho de todos.
--E quem fiscalizará o funcionamento do novo regime?
--A compreensão da responsabilidade de cada um de nós.
--Senhor, como tudo isto é estranho!- considerou o noviço, alarmado--desejarás dizer que o Reino diferente, prescindirá de exército, palácios, prisões, impostos e castigos?
--Sim - aclarou Jesus, abertamente-, dispensará tudo isto e reclamará o espírito de renuncia,de serviço, de humildade, de paciência, de fraternidade, de sinceridade, sobretudo, do amor de que somos credores, uns para com os outros, e a nossa vitória permanecerá muito mais na ação incessante do bem com o desprendimento da posse, na esfera de cada um, que nos próprios fundamentos da Justiça, até agora conhecidos no mundo.
Nesse instante, justamente quando os doentes e os aleijados, os pobres e os aflitos desciam da colina tomados de imenso júbilo, Melebel, o destacado funcionário de Jerusalém, exibindo terrível máscara de sarcasmo na fisionomia dantes respeitosa, voltou as costas para o Senhor, e, acompanhado pôr algumas centenas de pessoas bem situadas na vida, deu-se pressa em se retirar, proferindo palavras de insulto e zombaria...

O milagre dos pães fora rapidamente esquecido, dando a entender que a memória dificilmente funciona nos estômagos cheios, e, se Jesus não quis perder o contato com a multidão, naquela hora célebre, foi obrigado a descer também, rapidamente....

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Ciclismo na Itália

Bike Tuscany, ITALY
Italian Bicycle Tours

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Bike Tours in Tuscany,  Italy

Ciclismo pela praia.

Um dos grandes prazeres que tenho é andar de bicicleta. Não só se trata de um esporte prazeiroso como tambem favorece grandemente a boa forma física.

A Organização Mundial de Saúde publicou uma ferramenta chamada HEAT for Cycling que permite que os governos avaliem as economias a partir do ato de andar de bicicleta, economias resultando da mortalidade reduzida ou menos obesidade. Está disponível na Internet.

As várias doenças como doenças cardíacas e diversos tipos de câncer são menos predominantes entre as pessoas que andam de bicicleta. Em um estudo feito na Dinamarca onde 30.000 pessoas foram acompanhadas por 14 anos, entre aqueles que praticavam o ciclismo a possibilidade de morte durante esse período era 30% menor do que entre aquelas que não praticavam.

Pelo menos duas cidades, Odense, na Dinamarca e Grimstad, na Noruega, viram economias imediatas no sistema de saúde, em conseqüência da promoção bem sucedida do ciclismo durando alguns anos. 

As pessoas falam sobre o tempo ruim, as distâncias, e assim por diante. Mas mesmo que existam alguns problemas, há muitas coisas positivas que as pessoas não percebem sobre o ciclismo, como economizar dinheiro, tempo, mais liberdade e benefícios substanciais para a saúde. Há muitos mitos sobre o ciclismo que não são mais verdadeiros.

Com freqüência, as pessoas pensam que o trânsito é intimidador e barulhento, e já ouviram falar sobre acidentes. Mas as estatísticas que dizem que andar de bicicleta é mais perigoso do que conduzir um carro têm por base o quilômetro rodado, o que não é uma comparação justa.

As pessoas não irão tão longe de bicicleta quanto de carro, assim, o que você deve comparar é o perigo baseado por hora ou por viagem. E então não há na prática nenhuma diferença entre o perigo de ir de bicicleta ou de carro. E naturalmente os ciclistas oferecem um perigo muito menor para as outras pessoas. Se andar de bicicleta substitui a condução de carro para distâncias curtas e médias, nós temos um trânsito mais calmo e todos nós ficaremos mais seguros.

Aqui em Vitória, como de resto em toda capital ou cidade de médio porte, não existem ciclovias na verdadeira acepção da palavra.Existe um "caminho" paralelo ás calçadas que a prefeitura ousa chamar de ciclovia, mas o que vemos é uma acirrada disputa entre o ciclista e o pedestre por este espaço.

Costumo pedalar mais nos domingos e feriados quando não há aquele transito infernal. Ultimamente  com a aposentadoria conquistada tenho pedalado todos os dias numa média de 30 km. A topografia de Vitória favorece pois, sendo plana não há muito desgaste a não ser quando se pega um vento nordeste ou sul de frente.

Sábado dia 2 de abril  fui pedalando até o balneário de Manguinhos num percurso total de 40 km. Saí ás 06.30h pela av. Beira Mar, atravessei toda a Praia de Camburi e peguei a Norte Sul até o final quando parei no posto para hidratação e comprar umas barrinhas de cereal. Fui pedalando até Novo Horizonte, local que não conhecia e por sinal muito com fama nada abonadora quanto a segurança. Fui sem problem algum com informação de moradores locais em direção a Carapebus.

Ao passar em frente os portões da Arcelor Mittal tive de ter cuidado com o grande fluxo de caminhões e este foi na verdade o trecho que exigiu maior atenção, justamente pelo transito que aquela hora já se mostrava intenso. Cheguei sem problemas em Carapebus, deserta de banhistas não só pel hora mas sobretudo pelo mar agitado. Muitos surfistas aproveitavam as ondas e não demorei nada alí. Carreguei a bike pelas areias, contornando uma pequena lagoa e já na estrada rumei para Bicanga. Trecho fácil e plano.

Em Bicanga peguei o asfalto e rapidamente avistei Manguinhos.Eram 10.30 h  e nesta hora muitos banhistas já estavam curtindo sua praia. Fui até um barzinho da orla e fiquei alí admirando os inúmeros surfistas. Acho esse esporte um dos que proporcionam os melhores e mais belos efeitos visuais. O mar estava agitado e a maré tinha sido muito alta na noite anterior, tanto que uma turma de garís estava recolhendo muita areia que tinha sido jogada nas calçadas, nos bares e casas da orla

                                                              Surfistas em Manguinhos
                                                               
                                                                            Surfistas em Carapebus
                                                          
                                                      Dois cães simpáticos e brincalhões



                                                               
                                                                         Minha KHS


Após uma cerveja gelada e um peixe frito, liguei para meu filho Gabriel para que munido com o trans bike,viesse me apanhar pois tinha sido uma boa jornada e agora o vento estava mais forte.

Na próxima etapa pretendo fazer um trecho rural. Penso no entorno do Caparaó..

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Pegadas na Areia

















































































Domingo passado partcicipei de uma caminhada pelas areias da praia. O trajeto foi de Santa Cruz à barra do Sahy, numa extensão de 17 km.
Para quem não sabe, a foz do rio Piraquê Açu( rio do peixe grande),litoral de Aracruz no Espírito Santo forma o 5º maior manguezal da América Latina e é de uma beleza exuberante. Nas estradas líquidas desse majestoso rio, existem muitas histórias de pescador, áreas indígenas e uma grande diversidade da fauna e flora da região.

Debaixo de forte sol, céu límpido e azul, caminhamos por belos cenários, com praias belíssimas e enseadas convidativas. Neste mês de fevereiro, já livres da imensa quantidade de turistas, as praias são um convite ao banho em águas mais mornas e com direito ás cervejas geladas e ao peixe frito de sabor sem igual.

As fotos dão uma amostra da beleza do local.


segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Tríades

TRÊS TRÍADES

• Três coisas irrecuperáveis: o efeito da calúnia, o tempo passado, o ato sexual adiado.

• Três coisas irresistíveis: dormir mais um pouco, a mulher do amigo, o puxa-saquismo.

• Três coisas maravilhosas e fugidias: a nuvem no céu, mulher rica e bonita, a juventude.

domingo, 19 de dezembro de 2010


O trem chinês da companhia China Railway High-Speed, alcançou nesta sexta-feira velocidade de 486,1 km/h, transformando-se na composição mais rápida do mundo, afirmou a agência "Xinhua".

O recorde foi estabelecido no trecho que liga a cidade de Zaozhuang, na província de Shandong, até Bengbu, na província de Anhui, de 220 quilômetros.

Com isso, superou os 416,6 km/h atingidos em setembro no trajeto entre Xangai, centro econômico e financeiro da China, até Hangzhou, capital da província de Zhejiang.

O trem, do modelo CRH380A, é utilizado no trajeto entre Pequim e Xangai, que em 2011 contará com 24 estações e unirá as duas cidades em quatro horas, passando por sete províncias formando a linha férrea de alta velocidade mais longa do mundo.
Agora eu pergunto? Quando vamos ter um desses na" terra brasilis"?.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Viagem nos trilhos

UMA VIAGEM NOS TRILHOS

Não tinha a menor idéia do que era caminhar sobre os trilhos de uma ferrovia. Nunca havia pensado nisso, nem de longe. Meu negócio sempre foi subir e descer montanhas, campos e ravinas.

Quando o Waldson postou aquela mensagem para o andarilhos.org, pedindo votos para sua foto, me interessei pelo assunto e fui navegar pelo “site” amantes das ferrovias.com que hospedava o dito concurso. Cadastrei-me e sou hoje um usuário constante desse sítio, pois trás assunto de muito interesse. Fiquei fã do negócio.

Descobri um mundo incrivelmente belo sobre ferrovias.

Aguçou mais ainda minha idéia quando vi que o assunto mexeu com minha memória ao perceber que alguns internautas postavam assuntos e fotos sobre São João Del Rei e ainda mais... com fotos de locomotivas antigas. Revi as fotos da 42, da 21, da 68, caldeireiras Baldwin fabricadas nos anos 40 que serviram à antiga Rede Mineira de Viação, de saudosa memória, pois foram as máquinas que eu vi e andei nelas quando criança. Pirei...

Entre uns e outros, descobri um capixaba que havia feito o “Caminho dos Trilhos” entre Viana e Domingos Martins. Informei-me sobre os dados, dificuldades e eis que se apresentou uma oportunidade de fazer algo diferente - o percurso até o Vale da Estação em Domingos Martins.

Traçado o objetivo parti para a logística do negócio, não sem antes convidar meu amigo Jorge Rangel, igualmente ocioso, ou melhor, com disponibilidade programada de tempo, nesses tempos de pós aposentadoria. O prezado andarilho não se fez de rogado e topou no ato, pelo que acertamos o dia.

Mal amanheceu o dia 9 de dezembro o telefone tocou e o Jorge disse que iria passar lá em casa às 06h00h em ponto. Acreditei.

O cara não mente e pontualmente às 06.10h estava eu dentro do seu Ford Eco Sport junto do colega Otavio Andrade (aquele dono do Bar EU ACHO É POUCO – olha o jabá aí gente, em Jardim Camburi), companheiro de tantas caminhadas), prontos para o destino Viana.

Saímos pela descida do Palácio Anchieta e rapidamente ganhamos a BR 262 que àquela hora apresentava ainda pouco movimento. Logo atravessamos o trevo da Ceasa e passamos pelo posto da PRF em Viana, entrando á direita para acelerarmos rumo á pequena estação de Viana.

O Jorge optou por deixar o carro no posto de gasolina logo antes da estação e, depois de acertar os ponteiros com o gerente, rumamos para a pequena estação de Viana cerca de 1000 metros à frente, passando debaixo de um viaduto da BR. De construção típica, está bem conservada e serve de abrigo para a litorina(vagão autopropelido dotado de assentos confortáveis e outras facilidades) que faz o passeio nas montanhas.

Uma locomotiva antiga e um pequeno vagão compõem o cenário bucólico do local.

Alguns trabalhadores de conservação da linha férrea aguardavam sentados ás margens da linha aguardando a hora de pegar no batente e foi com eles que nos informamos que uma composição iria descer ainda naquela manhã. Com isso, ficamos precavidos para qualquer eventualidade.

Histórico da Linha:

O que mais tarde foi chamada "linha do litoral" foi construída por diversas companhias, em épocas diferentes, empresas que acabaram sendo incorporadas pela Leopoldina até a primeira década do século XX. O primeiro trecho, Niterói-Rio Bonito, foi entregue entre 1874 e 1880 pela Cia. Ferro-Carril Niteroiense, constituída em 1871, e depois absorvida pela Cia. E. F. Macaé a Campos. Em 1887, a Leopoldina comprou o trecho. A Macaé-Campos, por sua vez, havia constrtuído e entregue o trecho de Macaé a Campos entre 1874 e 1875. O trecho seguinte, Campos-Cachoeiro do Itapemirim, foi construído pela E. F. Carangola em 1877 e 1878; em 1890 essa empresa foi comprada pela E. F. Barão de Araruama, que no mesmo ano foi vendida à Leopoldina. O trecho até Vitória foi construído em parte pela E. F. Sul do Espírito Santo e vendido à Leopoldina em 1907. Em 1907, a Leopoldina construiu uma ponte sobre o rio Paraíba em Campos, unindo os dois trechos ao norte e ao sul do rio. A linha funciona até hoje para cargueiros e é operada pela FCA desde 1996. No início dos anos 80 deixaram de circular os trens de passageiros que uniam Niterói e Rio de Janeiro a Vitória

Às sete em ponto demos inicio a nossa caminhada.

Caminho que seguia, avistavam-se à direita os montes que ascendem em direção a Domingos Martins pela BR 262. Com esse visual, atravessamos a periferia da cidade de Viana, caracteristicamente igual à maioria das outras com muito lixo espalhado e esgoto correndo para os leitos dos riachos e córregos. Alguns minutos após não víamos casa alguma e a caminhada se tornou mais ativa, limitada pelo piso duro e pedregoso leito dos trilhos.

Silencio apreciativo. Muita mata rala, pássaros e a paisagem não se renovava, pois o leito da maioria das ferrovias é estreito e limitava a visão.

Ao longe se ouvia o ronco dos motores dos carros e caminhões que subiam a BR262. Ao lado, uma estradinha de terra que liga Viana à Santa Isabel.

Caminhar nos trilhos não é uma tarefa fácil, pois se deve cadenciar os passos de acordo com a distancia entre um dormente e outro e esta distância nem sempre é igual, de modo que alterna-se passos mais curtos e com outros um pouco mais espaçados e isso cansa.

Quando se cansa dos passinhos nos dormentes, passa-se a andar sobre as pedras de brita que são escorregadias, pontudas, roliças e derrapantes. Se você não estiver com um calçado adequado corre o risco de torcer o pé, por isso o cuidado é constante e isso te obriga a olhar sempre para baixo o tempo todo. Nessa batida, à vezes, você perde um lance digno de fotografar.

Mas seguimos caminhando entre pedras e dormentes, ora por um caminhozinho lateral, também pedregoso ora batido, ora úmido, mas sempre com as benditas pedras no caminho.

Duas horas depois, lá pelas 9:30h, ouvimos o barulho forte de uma draga atracada no meio do Rio Jucu a retirar areia e esse barulho muito forte nos impediu de ouvir o trem, que veio rápido numa curva, mas com tempo e espaço suficientes para nos afastarmos. Não deu tempo suficiente para fotografar.

Percebi que o condutor portava óculos escuros e fones de ouvido, mas parecia dormir como se estivesse entregue a um piloto automático.

Passou rápido e ficamos aliviados em saber que não haveria mais trens naquela manhã e assim calmos e tranqüilos, seguimos apreciando a paisagem . Sempre o rio à nossa direita, muito abaixo de onde estávamos, precipícios imensos, montanhas de pedras sem fim, muita mata e muitos pássaros.-sabiás, coleirinhos, papa-capims,sanhaços,etc.

Muitas vezes tivemos que passar entre duas rochas cavadas pelo homem para o curso dos trilhos e, nessas ocasiões, para refrescar do forte calor, tomamos umas duchas e sorvemos daquela água pura e limpa. Deparamos-nos com uma bica usada antigamente para abastecimento das locomotivas e fotografamos imensa caixa d’água escondida pelo mato.

Cerca de3 horas e meia de caminhada veio o primeiro grande pontilhão e à frente dele um grande túnel. Nesta hora pensei na minha lanterna que ficou esquecida em casa. Com certo receio, atravessamos o pontilhão, dormente por dormente, devagar e sem olhar para baixo, e chegamos à entrada do túnel. Respiramos fundo e fomos em frente, para alguns minutos depois cairmos em completa escuridão!

Devagar e tateando pelas paredes confiantes em que não haveria mais nenhum trem, fomos, passo a passo, vencendo aquele obstáculo em curva, para depois, com alívio, percebermos que havia luz no fim do túnel. Foi um momento tenso, coisa de marinheiro de primeira viagem, tanto o pontilhão quanto o túnel, mas vencemos o medo e logo na saída paramos para um lanche (que estava na mochila) e hidratação.

Com calma e devagar comemos e bebemos, fizemos as fotos de praxe e recomeçamos o trajeto, agora mais experientes. Outros pontilhões e mais um túnel se sucederam, mas já estávamos experts no assunto, de modo que as travessias dos obstáculos se deram sem maiores temores.

Os maiores obstáculos nas travessias dos longos túneis foram os inúmeros, incontáveis e gigantes morcegos que nos obrigaram a uma luta ferrenha para, ao final, sairmos vencedores, mas isso é um “causo” à parte.

Já passava das onze horas e o cansaço já dava mostras de sua presença quando, para nosso alívio, começou um temporal para ninguém botar defeito. Chuva pesada e constante que durou uma hora e quinze minutos. Eu que tinha levado minha capa de chuva, não molhei a mochila, mas era tanta água que, mesmo assim, fiquei ensopado da cintura para baixo.

O Jorge e o Otávio nem se fala. A mochila de ambos parecia uma bica vazando água por todos os lados. Mas foi sensacional e lavamos, literalmente, a alma e o corpo.

Nesse trajeto avistamos nas encostas ao longe as primeiras pessoas, camponeses cultivando suas hortaliças. Pessoas dignas de respeito, pois num local ermo como aquele, cultivar hortaliças e legumes, trabalhando de sol a sol, para depois embarcar por estradinhas mal conservadas e estreitas com destino à Ceasa e nem sempre receber um preço justo, é coisa para gente valente.

No caminho mais adiante encontramos a PCH Jucu, uma usina privada fornecedora de energia para a Escelsa, que fica escondida na mata. Paramos para fotos e achei que havia algum morador, mas ninguém apareceu.

O caminho seguiu depois da chuva, mais aliviado no calor, porém, com a dificuldade de sempre: os infindáveis dormentes e as pedras pontudas e escorregadias. Com a chuva, tivemos que redobrar os cuidados ao pisar nos dormentes, pois estavam muito escorregadios e isso ao atravessar os pontilhões gerou extrema cautela.

Mais uma hora de caminhada e chegamos de fato à primeira casa na beira da estrada e logo à frente avistamos um habitante que, para nosso alívio, nos informou que o Vale da Estação estava ali perto: uns 5 minutos.

De fato ao adentrarmos o povoado, eram 13h30min h, exatas 6 horas e meia de caminhada de 23 km nos trilhos, exaustiva, mas bela e atraente.

Paramos numa bica ao lado da estação para refrescar e adiante nos deparamos com a Lanchonete Vale da Estação para uma justa e merecida cerveja gelada. Nada para comer!!! E a fome apertando!!!

Pedimos as bebidas e logo apareceu um morador, de fenótipo alemão, olhos azuis e discretamente embriagados. Apresentou-se como Stein e pediu uma “meiota”. Falei que podia pegar com a dona do boteco, mas ele disse que ela não lhe venderia. Fui até o balcão e trouxe logo duas, uma para ele outra para dividir com o Jorge. Aí começou a encrenca, pois o dito alemão me confundiu com um personagem do programa do Silvio Santos e para entrar no jogo, confirmei que era eu mesmo. Foi uma piada, pois eu tive que me segurar no riso quando o figura me chamava de “Sambarilove”.

O Jorge, dando a maior força, fez com ele nos convidasse para a festa que começaria mais tarde em Santa Isabel. Falei que iríamos e prometi ao fulano que falaria com o patrão Silvio Santos, e mencionaria o nome dele no programa de cantores que eu, na mente dele, participava aos sábados no SBT.

Após tantas risadas pegamos de novo as mochilas e rumamos para o Café com Prosa, na saída de S Isabel para encher o estômago, a essas alturas, varados de fome. Seriam mais 4 km asfalto, mas ... no meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho. Essa pedra pode ser traduzida com Adega do Ivo.Ivo Fiegl( argh!!)

Simpático, o Ivo nos atendeu bem, tomamos e compramos cachaça da melhor qualidade, inclusive ele alambica uma de abacaxi que é uma delícia. Degustação terminada pegamos de novo o caminho e rapidamente chegamos ao Café com Prosa onde, como sempre, saboreamos delicioso pão com lingüiça ou pernil.

Saciados, havíamos pensado em chamar o Lucas, taxista de Campinho, mas a garçonete nos informou que em cinco minutos passaria o ônibus para Vitória.

Esperamos um tempo e apareceu o próprio, embarcamos e por 2,50 reais, num pulo estávamos no posto de Viana onde estava o carro do Jorge.

Nesse caminho, surgiu uma dúvida sobre quantos dormentes existem na linha, um achava que eram 8.343, outro achava que eram 8.525, outro 9.182 dormentes, mas essa é outra estória que um dia vamos esclarecer.

Pela incerteza numérica gerada e algumas caninhas de reforço a embaralhar a mente, ficamos de resolver essa pendenga em oportunidade futura a ser acertada, aí é claro na companhia dos nossos estimados andarilhos.org.

Do Café com Prosa, pegamos o ônibus da Águia Branca que faz a linha Carolina/Vitória, catando jeca para todo lado num total de 5 hs de viagem- e chegamos sãos e salvos dessa aventura nos trilhos, que já está prometida a ser continuada em data a ser posteriormente definida.

Fotografias serão adicionadas oportunamente pela falta do cabo USB do celular de última geração que utilizei.

Abraços.

Vitória, 11 de dezembro de 2010.

Ulisses José de Souza

Jorge Rangel

Otávio Andrade