Não sei dos outros mas eu sou católico, apostólico romano. Coisa mesmo da minha formação cultural, influenciada pela minha mãe, meu pai e sobretudo pela avó materna. Quando pequeno, lá pelos 6 ou 8 anos acompanhava minha avó nas missas ,celebradas em latim, no ritual do Vaticano - onde o celebrante ficava de costas para os fiéis - na pequena igreja do Bom Jesus de Matosinhos, de São João del Rei. Naquela época minha avó cantava de cor o "Tantum Ergo"- uma espécie de veneração ao Santíssimo Sacramento.
Estudei em colégio dos frades franciscanos em S João del Rei e Belo Horizonte , tendo então uma boa base de formação ,segundo os preceitos religiosos da época.Hoje não existe mais nada disso!!Só drogas e putaria que a criançada aprende na escola e na tv.
Mas o motivo dessa prosa é tentar ver o porque da cor roxa nessa ocasião, uma situação que desde aquela época me deixava com medo ao ver as imagens, nas procissões, cobertas de panos roxos. O andor de N S das Dores era muito alto e durante o trajeto, o "cambalear" da imagem irradiava um certo medo nas crianças. Parecia que a imagem era viva, com aquele olhar penetrante e duro.Afinal o que era mesmo a Quaresma para a gente?
Sabia que meu pai fazia jejum e nas sextas feiras ele passava a pão e vinho. Aprendi com ele e até hoje me abstenho de comer carne ás sextas feiras.
Chama-se Quaresma os 40 dias de jejum e penitência que precedem à festa da Páscoa. Essa preparação existe desde o tempo dos Apóstolos, que limitaram sua duração a 40 dias , em memória do jejum de Jesus Cristo no deserto. Durante esse tempo a Igreja veste seus ministros com paramentos de cor roxa e suprime os cânticos de alegria: O "Glória", o "Aleluia" e o "Te Deum.
Essencialmente, o período é um retiro espiritual voltado à reflexão, onde os cristãos se recolhem em oração e penitência para preparar o espírito para a acolhida do Cristo Vivo, Ressuscitado no Domingo de Páscoa.
A cor litúrgica deste tempo é o roxo que simboliza a penitênica e a contrição. Usa-se no tempo da Quaresma e do Advento.
Nesta época do ano, os campos se enfeitam de flores roxas e róseas das quaresmeiras. Antigamente, era costume cobrir também de roxo as imagens nas igrejas. Na nossa cultura, o roxo lembra tristeza e dor. Isto porque na Quaresma celebramos a Paixão de Cristo: na Via-Sacra contemplamos Jesus a caminho do Calvário.
A igreja propõe o jejum principalmente como forma de sacrifício, mas também como uma maneira de educar-se, de ir percebendo que, o que o ser humano mais necessita é de Deus. Desta forma se justifica as demais abstinências, elas têm a mesma função. Oficialmente, o jejum deve ser feito pelos cristãos batizados, na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa.
Pela lei da igreja, o jejum é obrigatório nesses dois dias para pessoas entre 18 e 60 anos. Porém, podem ser substituídos por outros dias na medida da necessidade individual de cada fiel, e também praticados por crianças e idosos de acordo com suas disponibilidades.
Se alguem quiser conhecer de perto toda a liturgia religiosa da Semana Santa deve ir á São João del Rei nessa época e se surpreender com a liturgia católica lá celebrada, inclusive com missas celebradas em Latim, numa demosnstração de fé que se comemora há mais de 300 anos. Os hinos são cantados em latim e executados pela orquestra Ribeiro Bastos, fundada igualmente há mais de 250 anos.
Nas fotos abaixo a Igreja de S Francisco e parte da Orquestra Riabeiro Bastos, na Igreja do Carmo por ocasião da festa de N S do Carmo.
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